sábado, 23 de maio de 2015

Fases...


Mulher!

Nem sempre é possível refazer os percursos feitos em nossa longa e complicada jornada desta vida. Quantas vezes é com dor e lágrimas que nos desfazemos de nós,para refazer uma outra tão mais permissiva más tão igualmente sonhadora ,enquanto acreditamos estar nos tornando duras o suficiente para dizer todos os nãos necessários a sobrevivência do coração.
Em outros momentos estamos certas de que nossa imagem tão bem talhada a ferro e fogo ao longo de noites mal dormidas e dias exaustivos é a que desejamos para sempre...pelo menos enquanto durar nossa mágoa ou nossa ira.
Mulher de fases como luas, somos criadora e criatura de nossas emoções e sonhamos.Sonhamos com castelos e príncipes, fitas e flores,luas e cetins...perfumes e cores e, por fim...filhos e casas e bichinhos de estimação.
Fadadas a sermos felizes, não convivemos bem com a infelicidade e tampouco acreditamos que os príncipes são sapos...Somos eternamente belas adormecidas na expectativa de que um beijo nos acordará para o paraíso.
Dormimos e acordamos sempre, independente das lágrimas ou risos com uma canção para a vida. 

                                                                             margarethrosef

quarta-feira, 13 de maio de 2015


Um presente à minha vida!

Avó… onde estás?
Hoje sinto tanto a tua falta… !
Apetece-me fazer como antigamente, quando permanecias no teu velho cadeirão, como se fosses uma rainha no seu trono de sonhos e lirismo, e eu me sentava no chão em silêncio, a olhar para a chuva, a beijar a sujidade rugosa das vidraças, remetida ao meu corpo franzino e à minha doentia tendência para mergulhar nos rios dos pensamentos, onde flutuava à tona de água mesmo sem saber nadar. Onde teimava em crescer intelectualmente, como se o meu destino fosse esse louco desejo de viver prematuramente a inocente sabedoria da menina que era com 7 anos de idade, com tendência para a introspecção.
Onde estás, avó?
Sinto saudades da tua respiração asmática, do teu ar frágil, da forma como auscultavas os meus estados de espírito, quando armado em raposa astuta, me olhavas de soslaio pelo canto do olho, como se procurasses decifrar o chilrear dos pássaros, que por vezes se abeiravam da janela.
Sim... tenho saudades quando com a tua voz timbrada e serena me dizias com a repetição de um disco riscado: - O que foi agora… cachopa?(menina)
Aí do céu, consegues dizer às estrelas que me libertem desta nebulosidade intensa, que se apoderou hoje do meu coração?
Hoje preciso que me dês a mão, como o fazias quando me levavas contigo na tua tarefa de distribuir o pão. Que me ralhes comigo com a mesma transparência com que me oferecias os teus ensinamentos, os rebuçados que guardavas nos bolsos, apesar da tua pobreza.
Esses tempos eram duros, avó,eu sempre o pressenti! Não imaginas o quanto me enternece hoje quando concluo que mesmo assim essas dificuldades nunca te inibiram de escancarar as portas do teu coração nobre e bondoso. Inventavas sempre dinheiro e vontade só para me arrancar um sorriso.
Avó, onde estás…?
Preciso ouvir-te alertar-me de novo, como quem espalha uma profecia divina, que a realidade do mundo não são os sonhos que tão prematuramente se apoderaram da minha alma. Sim... sim... preciso que me alertes, mas que me digas como antes… que apesar de tudo são esses mesmo sonhos que nos devolvem a alegria de viver!
Quero beber dos teus olhos a tua sabedoria, a tua sensibilidade extrema, mas hoje não te vejo... avó, onde estás?
Não foi certamente por acaso que te chamei na ânsia de chamar-te mãe. Tu sempre me ensinaste a seguir a claridade transparente dos caminhos! Sempre... E agora, avó, quem me orienta?
Terá sido por isso que mais tarde escrevi um pequena história, que foi a forma inocente de te homenagear?
Sabes? Tu foste acima de tudo aminha melhor amiga, nos meus tempos de menina triste e sonhadora.
Quando te chamei mãe, terá sido esse o preciso momento em que me dispus a brincar com as palavras, como se elas fossem tudo para mim? Para ser uma menina feliz… nunca precisei das bonecas que não tive. Nem dos brinquedos que via nas montras. Precisei apenas dos campos verdes para rebolar na relva como se fosse uma bola descontrolada, das margaridas a polvilhar a terra fértil, de ver as joaninhas a esvoaçar nas suas asas com bolinhas minúsculas, de cantarolar “joaninha voa…voa…”, como se rezasse ao Deus em que acreditavas. Dos pirilampos a romper do meio das vinhas com as suas luzes intermitentes, das papoilas em incêndios rubros pelos caminhos, quando chegava a Primavera.
Recordas-te do dia, quando eu zangada com a mãe, depois de ela me ralhar por eu andar sempre a escrevinhar poemas e frases sem nexo nos cadernos da escola, gritei uma frase que hoje me acompanha inexoravelmente?
“QUEM MANDA NOS MEUS SONHOS…SOU EU!!!!!!”
Sei que sim!
Sendo assim… avó, vou secar as lágrimas que me beijam neste momento as faces. Tu estás afinal aqui… neste momento.
Sorris para mim, Oh… quanta saudade minha querida! E agora… afaga os meus cabelos como o fazias quando eu estava mais triste.
Está bem ? 
                                                                              Vóny Ferreira
Adaptado para minha avó Julia

domingo, 3 de maio de 2015

A Grande Mãe !


Mães...

De uma carta para minha mãe:
 
Como já disse, você foi minha primeira professora. E tendo-a como espelho, durante algum tempo perdi-me de mim. Foi preciso me quebrar para então recolher-me como desejava. Apartar-me como num parto, para habitar minha própria história. Doeu descobrir nossas diferenças. Doeu principalmente perceber que falta em mim aquilo que admiro em você. Somos partes do mesmo novelo, eu sei; e desenrolei-me para costurar novas fazendas ,aquelas mais serenas, que me revelam mais ,mas percebo agora que nossos fios se embaralham, misturam, confundem, alinham e desalinham nas voltas que o carretel dá, e sem querer me surpreendo copiando suas falas, embasando suas tradições, fundamentando seus argumentos, encorajando seus modos. Costurei-me em novos tons, mas me pego repetindo os croquis. E desejo crescer tendo-a como referência, pois como disse Fabrício Carpinejar: "Repetir o amor é aperfeiçoá-lo". Não sei se conseguiria aperfeiçoar aquilo que já é perfeito, mas sei onde estiveram seus melhores gesto,  os que quero perpetuar...
                      Fabíola Simões                    
  Do texto "Repetir o amor é aperfeiçoá-lo", blog A Soma de todos os Afetos

sexta-feira, 17 de abril de 2015